[Conto] O ponto G dele
Caras como eu vão aprendendo a aprender, com o tempo, que não se pode esperar que vários sonhos se realizem. Gordo, quarentão, casado há quase vinte anos com um cinquentão mais gordo do que eu. Não, não sou e não estou aqui para estimular a gordofobia. Qualquer pessoa que realmente goste de sexo sabe que o formato do corpo não tem qualquer relação direta com o prazer que se pode proporcionar… Por outro lado, todo mundo sabe que os estereótipos existem, e Michelangelo não esculpiu o seu Davi com um corpo parecido com o meu por algum motivo.
Mas, um dia, minha estrela brilhou. Havia conhecido a plataforma poucos dias antes e, naquele, meu marido estava em seu primeiro dia de uma viagem que duraria três. Comecei a bater papo com um cara; foi tudo muito rápido e certinho. Ele tinha o estilo maloka que tanto me dá tesão. Em pouco tempo, estava na minha casa. Não seria a primeira vez que eu levaria alguém para lá. Eu estava seguro quanto aos perigos e também quanto às seguranças.
Começamos a nos beijar, com a mão dele me segurando firme pela nuca. Minhas pernas ficaram moles. Então, uma coisa aconteceu… Ele foi me levando para a cama conjugal. “Cama conjugal”… que coisa cafona de se dizer… Mas me dei conta de que nunca havia transado com outra pessoa naquela cama além do meu marido. Mas ele dominava o que se passava. Fui atirado à cama: muitos beijos, muitas mãos em vários lugares. Estava frio, mas eu suava mesmo assim. Ele quis tirar seus colares dourados; não deixei. Entrou em mim com os braços passando por baixo dos meus e prendendo minha cabeça contra o colchão. Eu sentia cada entrada e cada saída; ele era mestre em dominar o próprio corpo.
Gozou em trinta minutos. Fomos para a sala, pediu uma cerveja e perguntou se podia fumar. Como ainda faltavam três dias para meu marido voltar, permiti. O cheiro já teria ido embora. Pediu para colocar uma música e escolheu “Rewind”, do Azzuleo. Um metro e oitenta, vinte e dois anos, corpo sarado, jogador futebol. No meio de uma frase minha, pegou minha cabeça e a colocou entre suas pernas. E ali fiquei por um bom tempo. Depois contei a ele que “ele” era dividido em duas partes: os primeiros 25% eram retos, voltados para a frente; os demais 75% eram curvos para cima. Então, eu tinha que começar a engolir de cima para baixo e, em determinado momento, ir de fora para dentro. Passei a usar mais a língua na parte de baixo e a não pôr os lábios em “biquinho”, mas a colocá-los por cima dos dentes. Isso fazia com que minha boca ficasse mais apertada. Nunca ninguém havia feito isso com ele.
Homens também têm seu ponto G, e poucos sabem disso. É um lugar específico em que, quando estimulado, o bicho acorda. Mostrei a ele uma coreografia em sete movimentos para que pudesse ensinar à mina dele. Em posições diferentes, ele chegou ao orgasmo mais duas vezes.
Perguntei sobre sua tornozeleira eletrônica, e ele me deu um resumo da história. Fiquei tão excitado que explodi, e ele foi me ajudando a explodir ainda mais. Então, quando meu corpo teve a primeira daquelas explosões que ele já tinha experimentado três vezes, ele pegou tudo o que saiu de dentro de mim e passou em si mesmo. Fiquei de quatro e senti que ele montava em mim. Nunca havia passado pela minha cabeça algo assim.
Então, tomamos mais uma cerveja, e ele me contou que precisava ir, porque tinha um horário determinado pela Justiça para chegar em casa. Agradeceu por eu ter mostrado a ele o lugar do seu próprio ponto G. E eu agradeci por ele ter vindo.
Não senti vontade de convidar mais ninguém para minha casa pelo resto daqueles três dias. Estava saciado. Mas ouvi “Rewind” incessantemente.
Autoria realoficialbora